"Enfim você chegou!
Respire fundo. Sorria.
Deixe suas preocupações de lado.
Receba o melhor que esse mundo tem a lhe oferecer,
afinal de contas,
você merece.

Entre e sinta-se em casa!"

Geração 8 ou 80!

6.20.2008

Estou aqui digitando e falando ao telefone com meu marido. Meu filho (com 10 anos) fica no outro ouvido me pedindo as cartas de Naruto, que guardei porque ele não fez as tarefas escolares, o outro (com 13 anos) me chamando lá da sala e a Júlia (6 anos) reclamando que ninguém a deixa falar, nem a escuta (e olha que ela passou a tarde inteira comigo!). Quando estamos no carro, tenho que marcar a vez de cada um falar, porque nenhum espera o outro terminar o que está falando, e atropela a conversa numa disputa desenfreada por atenção.
Por que as pessoas de hoje estão tão imediatistas e exageradas? Por que não sabem ouvir não, tornando-se até violentas e/ou extremanente emotivas e chantagistas, quando algo não as agrada?
Quando o assunto são os jovens, a grande "dúvida" paira sobre os pais e a educação que deram aos seus filhos. Será que a falta de limites, o excesso de proteção, ter sempre alguém pra fazer as coisas pra eles, a mãe e o pai trabalhando fora são os pilares reais de todos os problemas da nossa sociedade? Ou será que os pais também são vítimas? (Pensar que muitos pais dão tudo de si pelos filhos!)
Mas, e quando são os adultos que não sabem dizer, nem ouvir não, que lutam brigam e gritam o tempo todo, querendo se fazerem ouvir e até intimidar o outro? São os pais também os culpados? Será que só os pais, ou a falta deles, são responsáveis por tudo de errado que se faz?
Creio que o telefone celular, a internet, estão colaborando também para as pessoas serem cada dia mais imediatistas. Tudo tem que ser na hora, correndo. As pessoas hoje, simplesmente, não sabem esperar, e isso inclui todas as faixas etárias. É como se fôssemos donos da vida e do tempo do outro. Algumas pessoas se acham no direito de monitorar cada passo da outra pessoa, até celular com GPS já estão comprando, não pra encontrar o melhor caminho, mas para ver qual o caminho mais rápido para chegar e saber onde o outro está (com exceções, é claro).
E os relacionamentos amorosos perdem muito com isso, pois a falta de liberdade numa relação, o dar satisfação de tudo, o tempo todo, pode sim acabar com essa relação, porque sufoca demais. É preciso manter a individualidade, os amigos, os laços familiares, a liberdade (não confunda liberdade com libertinagem), para que ambos sintam-se livres para estar na relação e permanecer nela. E quando ela chega ao fim, é preciso saber aceitar que ambos tem livre arbítrio para estar junto ou terminar tudo. O fim de um relacionamento é uma decisão difícil para ambos, mas é normal. Sempre aconteceu e sempre acontecerá, porque somos humanos, erramos nas nossas escolhas, sofremos e precisamos resolver isso, pois não devemos continuar num relacionamento só para agradar o outro, a sociedade ou a família.
Vejo que o exagero está em tudo, é tudo 8 ou 80, e concordo com uma professora que tive que defendia: "Tudo em exagero torna-se defeito."
Temos que buscar encontrar o meio termo para educar, para amar, para brincar, para sofrer, para viver (e isso não significa ficar em cima do muro, mas sim entender que o mundo dá voltas e que, podemos sim, mudar de opinião, e rever nossos conceitos).
E que Deus nos ajude!!! Bom final de semana!
Texto: Cláudia Gonçalves
Foto: Google (bebê em miniatura feito de biscuit)

12 amigos proseando comigo!:

Rafiki 21 de jun de 2008 00:27:00  

Acredite, esses questionamentos existem desde a época de Platão. A geração futura está sempre em um desenfreado absurdo que a anterior. Tenho a certeza que teus avós creditavam o mesmo à tua geração e a de teus pais. Tristemente parece que esse é o caminho do humano, a vida efêmera, de encontros passageiros, de agendas cheias.
Em relação ao último parágrafo, só tenho a concordar.E parece-me ainda tão difícil o encontrar desse equilíbrio. A humanidade caminharia bem, se não desejasse correr tanto...

Dallas Diego 21 de jun de 2008 06:41:00  

Certa vez estava pensando nisso tambem. A juventude mudou mesmo em relação as decadas de 70/80.
Conversando com pessoas com mais idade, elas me relataram cada coisa que hoje nao vejo um terço daquilo acontecer.

As pessoas hoje estao sempre correndo, deixam de viver sua vida com mais zelo se preocupando a cada instante com mais coisas, pessoais ou profissionais, logo, as pessoas que a circundam sofrem junto.

Abraços!!

Rafiki 21 de jun de 2008 07:43:00  

Tendência desse tempo, a melancolia. Não deixo de concordar com você,porém para ser sincero eu sou um rapaz bastante alegre... Houve sim um tempo que eu reclamei da vida, que eu achei impossível a utopia da felicidade. Depois que eu aprendi a entender tudo ou quase tudo como construído,entender que realidade e ilusão são pontos de vista eu parei de me preocupar com a busca da felicidade e passei a construir minhas alegrias na busca de meus objetivos. E continuo concordando com você, jovens tristes sem tanto motivo, mas não consigo me incluir nesse meio, afinal não é uma característica capaz de me definir, não essa.Enquanto ao exagerado, essa sim, eu sou.Exagerado no gostar, no sofrer interno, na euforia compartilhada, é da minha natureza viver meus amores inventados todos como eternos e absolutos até o fim...

São males da pós-modernidade, aqueles de efeito sobre a psique.

"Exagerado!
Jogado aos teus pés
Eu sou mesmo exagerado
Adoro um amor inventado..."
(Cazuza - Exagerado)

Post Scriptum: Comentaram, certa vez, sobre um outro texto que escrevi.

" Sua velhice precoce redunda a sua juventude tardia!"

Paula Basques 21 de jun de 2008 10:51:00  

Cláudia, em primeiro lugar: obrigada pelo comentário! Fiquei muito lisongeada...

Quanto ao seu post. Concordo com vc. Mas acho que responsabilizar outras pessoas, pai, mãe, etc, pelos problemas, dificuldades insucessos, etc, não é a melhor saída e sim uma forma de não assumir a responsabilidade de ser quem vc realmente é!

Gostei muito! Beijos e bom final de semana <[:D]>

Patty 21 de jun de 2008 11:54:00  

É tudo verdade, Cláudia. Estamos sempre correndo na maior parte do tempo e queremos tudo pra ontem. Acho que a longo prazo perderemos muiiiito com tais atitudes. Beijos e bom final de semana!

Sara Albuquerque 21 de jun de 2008 17:03:00  

Impressão minha ou esse texto me caiu como uma luva? ;)

"E quando ela chega ao fim, é preciso saber aceitar que ambos tem livre arbítrio para estar junto ou terminar tudo. O fim de um relacionamento é uma decisão difícil para ambos, mas é normal."

Exageros são sim defeitos, sem dúvida. O exagero do amor, do medo, do rancor, do manter-se na imparcialidade, da crítica, do ceder, do não ceder. Você tem um modo ímpar de escrever. Traduziu seus sentimentos.

Ps> Felicidade chegando em doses pequenas, em análises mais minuciosas de bolas de chiclete, banhos de chuva e danças em frente ao espelho. ^^

Bom fim de semana, Claudinha!

Vanna 21 de jun de 2008 21:43:00  

Olha, nada ou quase nada m dá tanto prazer quanto ler um texto q fala o q penso.
Amei!!
Bjs, lindo dom. e ótima semana.

Micha 22 de jun de 2008 16:05:00  

nossa..aqui em casa somos 3 filhos e sempre foi essa loucura toda mesmo...ahaha
mas é assim, estamos cada dia mais corridos, né?

Uma semana maravilhosa para você!

/(,")\\
./_\\. Beijossssssssss
_| |_.................

Márcia(clarinha) 22 de jun de 2008 16:14:00  

Não existe cartilha de educar, mas hoje em dia, o tempo corre muito mais rápido do que podemos alcançar e as crianças nascem sabendo e discutindo seus quereres, ficamos nós, pais, absurdamente perdidos diante deles.
Há de se ter amor, muito amor para governar.
dias lindos, flor
beijos

Evandro Varella 22 de jun de 2008 20:45:00  

Claudia,

Já ouvi falar "Que pena que as crianças não vem com manual de instruções". Mas particularmente penso "que bom que elas não vem com eles" pois assim temos a chance de ir escrevendo o nosso próprio manual.

A vida é assim, vivemos a procura dos acertos, as vezes eles vem outras não.

O que devemos é não desistir nunca de acertar...

Ótimo texto, como sempre!

Abraços

Estrela do Sul 22 de jun de 2008 21:23:00  

Amiguinha, como Pai, percebo perfeitamente a que te referes. Mas penso que ninguem tem propriamente a culpa. Penso que cada vez mais o sistema torna a vida mais complicada, para pais, filhos, educadores/as e toda essa panoplia de pessoas que interagem connosco. É uma roseira com demasiados espinhos, para metermos lá a mão. Graças a Deus, não nos demos mal na criação dos nossos filhos. E eu agradeço muito ao Homem lá de cima por ter permitido que isso acontecesse.

"Amizade verdadeira é
difícil de encontrar,
díficil de largar e,
impossível de esquecer"

Uma otima semana

Bjinho amigo

Mario Rodrigues

Em espaço de partilha:
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Bonequinha de Luxo 23 de jun de 2008 22:33:00  

Oi,Cláudia
Belo texto."Por que as pessoas de hoje estão tão imediatistas e exageradas?" ... a sua pergunta é resposta para todo o tema abordado..
Se houvesse menos egoísmo e mais consciência tudo seria mais fácil,mas em todos os segmentos da sociedade e não somente nos pais,que tb são vítimas...

Beijos ,amiga

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Creio, com toda a minha alma, que o meu Deus está no comando de cada ato, gesto, acontecimento, sentimento, pessoa ou coisa, que entra ou sai da minha vida. Ele cuida de mim, e dos meus, o tempo todo, e sou infinitamente grata a Ele por isso.

"O bom de não sabermos todas as coisas é existir alguém que sabe. O melhor de tudo isso é que mesmo sem entender, encostando o ouvido no lugar certo, mesmo numa noite muito escura, a gente vai escutar suas respostas." Lya Luft

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